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Caixa revisa exigência de laje nos imóveis do DF

21 de dezembro de 2018

Aos poucos e com juros menores, o mercado de imóveis se recupera lentamente da recessão ao longo do ano junto com a economia. Mas muitos proprietários ainda se recusam a encarar a realidade de mercado, preferindo deixar casas e apartamentos à venda por mais tempo, meses ou mais, a um preço irreal. Uma das razões disso é o efeito-dotação, um viés emocional que ocorre quando, ligados a um objeto, perdemos a noção de seu real valor.

Um clássico experimento do economista Jack Knetsch evidencia o fenômeno, também chamado de efeito-posse. Depois de preencher um questionário, um terço dos 221 participantes recebeu uma caneca de brinde. Ocorreu o mesmo com outro terço, que, em vez da caneca, recebeu uma barra tamanho grande (400g) de chocolate suíço. E um terço não recebeu nada previamente, mas pôde escolher qual prêmio queria.

Uma caneca ou um chocolate não são prêmios ruins, mas foi oferecido aos participantes dos dois primeiros grupos trocarem o objeto que receberam pelo outro, se quisessem. Ao terceiro grupo não foi oferecida a troca, já que cada um havia escolhido o que queria.

Nesse terceiro grupo 56% escolheram a caneca. Ou seja, era o objeto favorito no geral. Mas se para ter a caneca precisavam abrir mão do chocolate, só 10% de outro grupo aceitavam. Aconteceu o mesmo com aqueles que podiam trocar a caneca pelo chocolate: 89% preferiram não mudar. Os resultados foram publicados no The American Economic Review em 1989.

No livro “Rápido e devagar”, Daniel Kahneman, ganhador do Nobel de Economia em 2003 — e que coassina, com Jack Knetsh e Richard Thaler, outro artigo essencial sobre efeito-dotação, de 1990 —, atribui o resultado a dois motivos: aversão à perda e sentimento de propriedade. Este último nos faz ver, por diversas razões, mais valor naquilo que possuímos do que o valor do bem em si. Já a aversão à perda é a dor emocional que faz você ser mais afetado se, por exemplo, perde R$ 100 do que se acha R$ 100.

O efeito é especialmente forte com bens que não costumam estar no mercado, como coleções e raridades, mas também pode envolver qualquer negociação na qual tenhamos de abrir mão de ao menos parte dos ganhos. Alguém que quer vender muitas vezes não leva em conta uma referência racional, como o preço do metro quadrado, mas outros fatores, como gosto pessoal. E alguns querem ser compensados por abrir mão do bem.

Você pode ter ficado satisfeito ao derrubar uma parede ou instalar uma escada elétrica numa reforma e achar que isso valorizou o imóvel, mas, para o comprador, o gasto provavelmente não tem qualquer valor. O mesmo ocorre com carros customizados. Os proprietários que costumam gastar, às vezes grandes quantias, em seus veículos acabam descobrindo que os compradores não valorizam como eles os equipamentos instalados.

Mas não existe efeito-dotação forte em trocas rotineiras, como ir ao supermercado ou comprar e vender ações. Nesses casos, existe o reconhecimento de comprador e vendedor de que a referência é o valor de mercado. É o segredo também para comprar e vender imóveis. Se os proprietários não aceitam o mercado, encontrar um comprador que valorize as mesmas características é bem mais difícil. E vai demorar ainda mais.

Fonte: http://crecidf.gov.br/destaques/caixa-revisa-exigencia-de-laje-nos-imoveis-do-df/